terça-feira, 7 de outubro de 2014

Qual é o real preço de uma camiseta de 7 dólares comprada no Walmart Norte Americano?

Escrevo este post com um grande ponto de interrogação na cabeça e um nó na garganta.

Há menos de uma semana, voltei para casa feliz da vida com três camisetas compradas no Walmart: duas por 9 dólares cada e outra por apenas 7 dólares (marca George).
Minha alegria foi por água abaixo nesta manhã, enquanto eu assistia o documentário "Made in Bangladesh", da CBC (reprisado no domingo passado e gravado para que eu pudesse assistir depois!).

Fonte

Não precisa ter um bom inglês para entender o vídeo, pois as imagens falam por si. O vídeo tem apenas ¼ ou menos do documentário completo - que recomendo a quem puder assisti-lo -, mas a página está sendo atualizada com outras informações pós-documentário. (Editado: good news! dá para ver o documentário completo online!)

A primeira coisa que fiz, após assistir ao documentário completo, foi verificar não só as etiquetas das últimas 3 camisetas compradas, mas de todas as minhas roupas que estão nos cabides. Das 3, duas camisetas foram feitas em Bangladesh.

Após conferir as etiquetas, uma dúvida:

Deixar de comprar as roupas feitas em tais condições mudaria a vida daqueles trabalhadores para melhor ou para pior? Deixar de comprar tais roupas seria a solução?
Acredito que não.

Bem, tenho certeza que passarei dias com este nó na garganta e com a falta de coragem de usar as roupas, pois é impossível sentir-se bonita e confortável numa peça de roupa que ajuda a população de Bangladesh a ser um pouco menos miserável mas com a condição de não ter a certeza de voltar para casa após 12 horas de trabalho, sete vezes por semana. É uma questão de morrer de fome ou morrer trabalhando.

Fonte

O real preço de uma camiseta de 7 dólares pode ser o de muitas vidas. Triste. Muito triste.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Você não precisa esperar dois anos como nós...

Eu nem acredito que levamos dois anos para sabermos que podemos ter uma identidade que comprove que somos moradores de Saskatchewan, mesmo que temporários.


First things first!

Para que é importante ter um SK ID (identidade de Saskatchewan)?
Na maioria dos lugares onde é necessário apresentar documento de identificação, são necessários dois documentos Canadenses. Um dos documentos precisa ter fotografia e o outro não precisa, mas, como eu escrevi antes, os documentos precisam ter sido emitidos NO Canadá.

Eu costumava mostrar o passaporte (que não é Canadense) + carteira de saúde + documento do carro (que sempre apresento com a PID). Em alguns lugares aceitavam, noutros não.
Até que um dia, uma mulher super impaciente, não queria nos entregar dois envelopes que estavam em nossos nomes, porque nós não tínhamos dois documentos de identificação Canadenses. Depois de nos xingar e abrir os (nossos) envelopes para ter certeza que eram para nós (?), ela falou que devíamos fazer o SK ID.

Com o o SK ID, basta apresentá-lo junto com o cartão de saúde de SK = duas formas de identificação Canadenses!


Como faço para ter meu SK ID?
Basta ir pessoalmente na SGI com o permit (estudante ou trabalho).
Custa dez dólares, tira-se foto na hora e fica pronto em menos de duas semanas!


Moro em outra província. Todas as províncias tem este serviço?
Não faço a menor ideia. Se alguém souber e quiser me avisar, posso editar este post para ajudar pessoas de outras províncias.


Resumindo: depois de dois anos levando os passaportes para todo os lugares que íamos, agora vamos levar apenas o documento de identificação que é bem mais leve, pequeno e prático!

E você, já tem seu SK ID? ;)


...
PS. Quem tem a SK driver's license (carteira de motorista feita aqui) não precisa fazer o SK ID.

sábado, 23 de agosto de 2014

(Quase) 2 anos de Canadá e novo logo para celebrar

Parece mentira que no final do mês vamos celebrar dois anos aqui no Canadá... Apesar de tudo o que vivenciamos e aprendemos nestes dois anos, parece que foi ontem que esta oportunidade apareceu em nossas vidas.

Eu estava editando as fotos do post de ontem e resolvi brincar de fazer uma marca d'água para as fotografias. Não pensei muito, nem fiz muitas opções (duas, apenas, com a mesma imagem). Talvez eu ainda mexa na imagem, ou no layout do blog (adoro brincar com os códigos html, mas tenho outras prioridades no momento). Por agora, apenas um logo, um símbolo que representará o blog.

Por que uma coroa?
A resposta é bem simples: nós moramos na Queen City (Cidade da Rainha)!
Pois é, Regina é conhecida como Queen City - eu já tinha falado sobre isso antes de virmos para cá.

Regina significa rainha em latin. A filha da rainha Vitória, então casada com o governador geral do Canadá, sugeriu o nome Regina em homenagem à mãe, em 1882.

Desta forma, nada melhor que uma coroa para representar o primeiro blog brasileiro com informações e fotos de Regina, SK, Canadá! :)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A melhor parte de ser uma aluna/pesquisadora em uma universidade do Canadá

Para quem é como eu que escolhe LER nas suas horas de FOLGA, ler diariamente como estudo continua sendo um prazer.
Já falei em outros posts que não considero o Mestrado difícil. Eu sempre amei estudar, então desafios de aprendizagem são pérolas no caminho e é o que me motiva a querer aprender sempre mais!
Mas, como também já falei em outros posts, o fator tempo é o que me 'judia' desde que cheguei aqui.

Não consigo ler tudo o que gostaria, porque, primeiro: (1) tenho que ler os livros e textos obrigatórios, (2) sempre leio as sugestões de leitura (que não são obrigatórias, mas que, se foram sugeridas pelo professor, alguma importância tem, né?), e (3) tenho que ler o que pesquiso por conta própria para dar conta do recado e suprir parte do gap entre o conhecimento que adquiri no Brasil e o conhecimento que meus colegas Canadenses possuem na minha área de estudo (Educação).

Aí surge mais um problema. Ou uma solução!
Problema: eu adoro ler as referências dos artigos e livros, pois sempre há a citação de alguém importante na área ou algum texto que chama a atenção - o que me faz encontrar MUITO material interessante.
Solução: não faltam opções de leitura e ampliação do meu conhecimento.

Eu prefiro focar na solução 'do meu problema' e me divertir com tudo o que encontro!

Raramente, muito raramente mesmo!, a biblioteca da universidade não tem o livro ou o artigo que quero ler. E isso foi o que mais me encantou desde que me tornei uma aluna de Mestrado numa universidade Canadense: temos acesso a (quase) tudo disponível no mundo da pesquisa!

LIVROS

  • atualmente tem muito livro digital e com um clique no link da editora temos acesso ao conteúdo completo do livro, sem nem sair de casa;
  • a biblioteca é gigante e tem muito material (mesmo);
  • há três colleges na universidade, ou seja, temos MAIS 3 bibliotecas disponíveis além da biblioteca principal.

ARTIGOS E REVISTAS
  • é possível pesquisar (e ler) centenas de revistas que possuem artigos acadêmicos - são revistas que SOMENTE as universidades podem comprar, não são vendidas de nenhuma outra forma!

TESES DE MESTRADO E DISSERTAÇÕES DE DOUTORADO
  • através da biblioteca online é possível LER (!) as teses e dissertações de outros alunos da maioria das universidades.

Todo este material disponível é em inglês e a maior parte do conteúdo digital tem origem no Canadá e nos Estados Unidos.

Em maio deste ano, comecei a me preparar para minha pesquisa! Depois de pedir a transferência de programa (eu me matriculei apenas no curso e pedi transferência para curso + tese) e encontrar um supervisor (uma hora destas falo mais do assunto), passamos quase 4 meses lendo e debatendo sobre minha área de pesquisa. Conforme o assunto foi passando de algo bem abrangente para algo mais específico, chegou a hora de procurar os autores chave e experientes no assunto.

Depois de muita leitura, muita pesquisa e muitas anotações, encontrei os autores principais, desde quem começou a abordar o assunto por primeiro (em 1971) até quem está escrevendo sobre o assunto atualmente (2013 e 2014).
Ao fazer uma pesquisa, é muito importante saber as origens do assunto e também é muito importante estar atualizado. Então, após encontrar as pessoas principais, é necessário ler o que estão dizendo nas últimas publicações (artigos e livros de no máximo 5 anos atrás - se forem 3 anos ou menos, melhor ainda!).

Foi na biblioteca de um dos colleges que encontrei o livro do escritor pioneiro no assunto:

O livro foi escrito em 1971, mas esta impressão é de 1972.
Gente, eu nem tinha nascido ainda!

O livro está se desmanchando...
Mas eu disse para a bibliotecária que precisa dele mesmo assim!
O livro foi doado por um professor e ainda possui as anotações feitas por ele...


Dois livros importantes e mais antigos foram emprestados para mim, via University of Regina, pela Univesity of Saskatchewan. Há um sistema muito interessante chamado Interlibrary Loan onde as universidades se emprestam materiais.



E uma das dissertações que eu queria muito ler e não estava disponível online veio da University of South Florida - da  F l ó r i d a  gente!!!

Este é um dos exemplares originais, assinado pela aluna de doutorado, 
seu supervisor e equipe de supervisão.

As dissertações tem, geralmente, mais de 250 páginas
(as teses são mais curtas, em torno de 150-180 páginas).

Confesso que me senti super importante pelo fato de a biblioteca da universidade onde estudo fazer todo este esforço para que eu possa ter em mãos não só os melhores materiais, mas os materiais fundamentais para uma boa pesquisa. Além do orgulho de fazer parte da University of Regina, como bônus vem o compromisso de honrar esta oportunidade e dar o meu melhor, como sempre fiz, para que o resultado da minha pesquisa seja em benefício da educação em primeiro lugar.

Bem, deixa eu parar por aqui porque só em fotografar o material e escrever sobre o assunto me deu vontade de estudar mais, ler mais, aprender mais!

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